Enquanto tal projeção não se realiza, o que temos presenciado é a ampla discussão sobre seu destino, mas afinal de contas, quem projeta o futuro? O minhocão é terra fértil para a imaginação do que um dia poderá ser. Uma extensa produção de imagens é ensaiada para ilustrar cenas de um futuro supostamente desejável. Nessas representações, é recorrente que façam uso de uma natureza decorativa que abstrai a urgência de outras questões em disputa no espaço. Ainda que sedutoras, as massas verdes presentes nas imagens dos projetos de concursos, muitas vezes são genéricas e amorfas.
Olhamos para outra forma de natureza presente no espaço urbano: as ervas daninhas que emergem das rachaduras dos pilares e vigas do elevado, em uma variedade de espécies, formas e cores. Submetemos os registros fotográficos dessa vegetação a uma manipulação programada em inteligência artificial, resultando em novas representações visuais que combinam diferentes graus de distorção de sua forma original. Essa natureza espontânea e muitas vezes indesejada desafia as imagens das utopias com sua poética rebelde e silenciosa. E se nada fosse feito?
Assistir a um futuro onde plantas imaginadas pela inteligência artificial dominam um espaço emblemático da cidade, coloca em discussão a prática de projetar, ato esse que molda a realidade e aglutina sentidos aos espaços que são transformados. O minhocão era aqui?